Em uma visita estratégica ao Panamá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o posicionamento do Brasil em defesa da neutralidade e soberania do Canal do Panamá, um dos mais importantes corredores comerciais do mundo. A agenda do líder brasileiro incluiu não apenas a reiterada defesa da via aquática, mas também a assinatura de acordos bilaterais significativos, a participação em um fórum econômico regional e um importante encontro com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, solidificando o compromisso do Brasil com a integração e o desenvolvimento sustentável da América Latina e Caribe.
A Defesa Inflexível da Neutralidade do Canal do Panamá
Durante sua estadia no país centro-americano, o presidente Lula enfatizou a posição brasileira de apoiar a neutralidade do Canal do Panamá, considerando-a fundamental para um comércio internacional justo, equilibrado e pautado por regras multilaterais. Essa postura assume especial relevância no contexto de recentes declarações e ameaças de intervenção por parte do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A defesa brasileira se estende ao apoio integral à soberania panamenha sobre o canal, cuja gestão, ao longo de quase três décadas, tem sido reconhecida por sua eficiência, segurança e não-discriminação. Em reconhecimento à sua contribuição, Lula foi agraciado com a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta honraria concedida pelo Panamá.
A seriedade do compromisso brasileiro é evidenciada pelas ações concretas do governo. O presidente informou que encaminhou ao Congresso Nacional a proposta de adesão formal ao Protocolo de Neutralidade do Canal, consolidando um reconhecimento que já havia sido submetido ao parlamento em agosto do ano anterior, relativo ao tratado sobre a neutralidade permanente e a operação da via.
Fortalecendo Parcerias: Acordos Bilaterais com o Panamá
Além das discussões sobre o canal, a visita de Lula ao Panamá foi marcada pela assinatura de importantes acordos para intensificar o comércio, os investimentos e a cooperação bilateral. Os pactos abrangem diversas áreas, incluindo turismo e gestão portuária, com a expectativa de dinamizar o fluxo de capitais e bens entre os dois países. O Panamá, que se destaca como o maior parceiro comercial do Brasil na América Central, registrou trocas comerciais que somaram US$ 1,6 bilhão em 2025, evidenciando o potencial para expansão.
Outras pautas abordadas incluíram a atualização do acordo de serviços aéreos, visando aprimorar a segurança jurídica para o transporte de cargas, e as tratativas para um acordo de preferências tarifárias. Este último é apoiado pelo Brasil e se ampara na adesão do Panamá como Estado Associado do Mercosul, sinalizando um aprofundamento das relações comerciais. As delegações também discutiram a conclusão de procedimentos sanitários para permitir a importação de carne bovina, suína e de aves do Brasil pelo Panamá, abrindo novas portas para o agronegócio brasileiro.
Unindo Forças: O Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe
A participação do presidente Lula na abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026 foi um momento central para a articulação regional. Em seu discurso, Lula defendeu que a solução para os desafios enfrentados pela América Latina e Caribe reside na atuação conjunta. Ele ressaltou o vasto potencial energético, de biodiversidade, hídrico e mineral da região como ativos estratégicos. Esses recursos, segundo o presidente, são cruciais para a transição digital e energética global, oferecendo uma oportunidade única para reposicionar os países latino-americanos e caribenhos nas cadeias globais de valor.
Lula enfatizou que infraestruturas integradas geram benefícios econômicos compartilhados e que o aumento do comércio intrarregional fortalece as cadeias produtivas, tornando a região mais resiliente a choques externos. O presidente também abordou desafios comuns, como o combate ao crime organizado transnacional, sublinhando que tais questões exigem cooperação internacional para serem enfrentadas com eficácia. Ele concluiu sua fala defendendo a superação de diferenças ideológicas em prol dos ganhos coletivos, destacando a necessidade de fortalecer os foros de concertação latino-americanos e caribenhos.
Diálogo com a Bolívia: Integração e Cooperação na Amazônia
A agenda do presidente Lula no Panamá incluiu uma reunião bilateral com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. O encontro focou em temas cruciais de infraestrutura física e nas oportunidades de investimentos entre os dois países, com especial atenção às rotas para a integração sul-americana. Foram discutidas alternativas para garantir o acesso da Bolívia a portos e o escoamento eficiente de sua produção, um ponto vital para o desenvolvimento econômico boliviano.
Os líderes também trataram da retomada de diálogos na área energética e de iniciativas conjuntas para combater o crime organizado na Amazônia, uma pauta de interesse mútuo para a segurança e preservação ambiental. Como desdobramento do encontro, Lula convidou o presidente Paz para uma visita de Estado ao Brasil, agendada para o primeiro semestre de 2026, com previsão de participação de empresários de ambos os países. Os presidentes instruíram seus ministros de Relações Exteriores a levantarem projetos prioritários em curso, como etapa preparatória para o futuro encontro.
Conclusão: Brasil Protagonista na Integração Regional
A visita do presidente Lula ao Panamá sublinhou a determinação do Brasil em desempenhar um papel ativo e construtivo na política externa, defendendo princípios de soberania e multilateralismo, como no caso da neutralidade do Canal do Panamá. Ao mesmo tempo, a agenda intensa de acordos bilaterais e a participação em fóruns regionais demonstram o compromisso do país com a promoção da integração econômica e política da América Latina e Caribe. Os resultados da visita reforçam a visão de que, por meio do diálogo e da cooperação pragmática, é possível avançar em direção a objetivos compartilhados, enfrentando desafios e capitalizando o vasto potencial da região para um futuro mais próspero e seguro.

