A defesa do ex-médico Roger Abdelmassih, de 82 anos, condenado a 173 anos de prisão por 49 estupros, protocolou novamente um pedido para que ele cumpra sua pena em regime de prisão domiciliar. A solicitação, que invoca questões de saúde do sentenciado, está agora sob análise judicial, representando mais um capítulo na longa batalha legal envolvendo o conhecido caso.
O Andamento do Novo Pedido Judicial
A juíza Sueli Armani, da DEECRIM 9ª de São José dos Campos, é a responsável por avaliar a nova petição da defesa de Abdelmassih. Para fundamentar sua decisão e obter uma compreensão precisa do quadro clínico atual do ex-médico, a magistrada solicitou à defesa um novo laudo médico-pericial. Este documento é crucial para determinar o estado de saúde do sentenciado e se ele se enquadra nos critérios para o cumprimento da pena em regime domiciliar. A realização da perícia ficará a cargo da própria defesa ou, caso comprovada a ausência de recursos financeiros, poderá ser conduzida pelo Instituto Médico Social e de Criminologia de São Paulo (IMESC).
Histórico Prisional e Recentes Transferências
Roger Abdelmassih, que esteve inicialmente detido em Tremembé, foi transferido para a Penitenciária II de Potim em 19 de dezembro de 2023. Essa movimentação se alinha a uma política gradual do governo do estado de São Paulo para realocar presos de alta repercussão, frequentemente referidos como “famosos”, para fora de Tremembé. Sua prisão ocorreu em 2014, no Paraguai, onde vivia com sua esposa, Larissa Maria Sacco Abdelmassih, que também atua como sua advogada, após ter sido condenado no Brasil.
Precedentes de Prisão Domiciliar
Não é a primeira vez que Roger Abdelmassih tenta ou consegue o benefício da prisão domiciliar. Em 2019, o ex-médico obteve permissão para cumprir a pena em casa também por questões médicas. Mais recentemente, em 2020, ele foi novamente agraciado com a prisão domiciliar devido a sua inclusão no grupo de risco para a Covid-19, período em que a pandemia demandou medidas de precaução para detentos com maior vulnerabilidade à doença. Esses precedentes são elementos considerados no contexto da nova solicitação de sua defesa.
Conclusão
A persistência da defesa de Roger Abdelmassih em buscar a prisão domiciliar reflete a complexidade dos casos envolvendo sentenciados em idade avançada e com quadros de saúde delicados. O resultado desta nova análise dependerá fundamentalmente do parecer técnico que será elaborado, com a Justiça buscando equilibrar a execução da pena com as condições humanitárias de um detento idoso e potencialmente enfermo. A sociedade permanece atenta aos desdobramentos de um dos mais notórios casos criminais do país.

