A renomada TV Globo se encontra no centro de uma nova controvérsia jurídica, desta vez envolvendo os direitos autorais do aclamado autor Manoel Carlos. A filha do escritor, Júlia Almeida, que representa a produtora Boa Palavra – detentora dos direitos patrimoniais da obra de Maneco –, protocolou uma ação contra a emissora, buscando esclarecimentos sobre pagamentos que, segundo ela, não foram realizados a contento. A disputa abrange um período de dez anos e sinaliza uma reivindicação financeira substancial.
A Busca por Transparência Contratual
A primeira etapa da ação legal, iniciada no final do ano passado, tem como foco principal compelir a TV Globo a se posicionar oficialmente sobre os termos do contrato de direitos autorais de Manoel Carlos. Júlia Almeida argumenta que a emissora não estaria cumprindo integralmente as cláusulas estabelecidas, e, portanto, a fase inicial do processo visa garantir total transparência sobre o texto contratual e a forma como os pagamentos foram computados até o momento. A produtora Boa Palavra entende que a não aceitação dos valores já pagos como verdadeiros fundamenta a necessidade dessa clarificação.
A Reivindicação Financeira por Dez Anos de Direitos
Após a obtenção da transparência e o posicionamento da emissora, a ação de Júlia Almeida avançará para sua segunda e principal fase: a cobrança de uma diferença financeira a favor de Manoel Carlos. Esta etapa pleiteia a atualização de dez anos de direitos autorais, que a filha do autor acredita estarem pendentes e representarem um valor significativo. A reivindicação se concentra nos direitos de reexibições (reprises) e utilização das obras em plataformas digitais, uma vez que Manoel Carlos não produz novas novelas para a TV Globo desde 2014, tornando estes os principais pontos de exploração de sua obra.
Pontos Controvertidos e a Possível Defesa da Emissora
Um dos pilares da contestação de Júlia Almeida reside na interpretação do contrato, que, embora preveja um percentual de direitos a ser pago, aparentemente não estipula uma data limite específica para esses pagamentos. Essa lacuna contratual poderia ser um ponto de defesa para a TV Globo, que poderá alegar que os valores ainda estão em processamento administrativo ou que o pagamento será efetuado em algum momento futuro, sem, contudo, justificar a ausência de quitação por tantos anos.
Em casos como este, é comum que a parte cobrada invoque a complexidade da burocracia interna ou o processamento administrativo como justificativa para a demora. No entanto, a produtora Boa Palavra insiste que o tempo decorrido desde o último trabalho do autor para a emissora não justifica a falta de regularização dos pagamentos devidos, conforme as obrigações contratuais estabelecidas.
Perspectivas da Disputa
A ação movida pela família de Manoel Carlos contra a TV Globo destaca a crescente fiscalização sobre os direitos autorais e a necessidade de clareza nas relações contratuais, especialmente em um cenário de monetização diversificada de conteúdo. O desfecho dessa disputa não apenas impactará as finanças do renomado autor, mas também poderá estabelecer precedentes importantes para outros detentores de direitos que buscam garantir o cumprimento de seus acordos com grandes veículos de comunicação. A expectativa é que o processo traga à luz os detalhes desses contratos e force uma definição clara sobre as obrigações de pagamento.
Fonte: https://gente.ig.com.br

