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Irã: Rallies Pró-Regime Repudiam Distúrbios e Acusada Interferência Estrangeira em Meio à Crise

© Fars News Agency/Divulgação

O Irã foi palco de expressivas manifestações pró-regime da República Islâmica neste domingo (11) e segunda-feira (12), enquanto o país enfrenta uma complexa onda de protestos e crescentes tensões geopolíticas. Milhares de cidadãos saíram às ruas para criticar os distúrbios que têm abalado a nação nos últimos dias e para denunciar o que Teerã considera ser uma flagrante interferência estrangeira nos assuntos internos do país. Os atos favoráveis ao governo ocorrem em um cenário de acusações mútuas de violência e desestabilização.

Origens e Escalada dos Protestos Antigovernamentais

Desde dezembro do ano passado, o Irã tem sido cenário de uma série de protestos antigovernamentais, impulsionados inicialmente por insatisfações econômicas, como o aumento do custo de vida e o fim de subsídios para importação de alimentos, que impactaram diretamente a inflação. Esses movimentos, que começaram como reivindicações legítimas contra a política econômica do governo, escalaram em intensidade, resultando, segundo levantamentos não oficiais, na morte de 490 manifestantes e 48 agentes das forças de segurança.

Teerã Denuncia Sabotagem e Conspiração Estrangeira

Em resposta à crescente violência, o governo iraniano adotou uma postura firme, divulgando vídeos de manifestantes armados e encapuzados, acusando-os de vandalismo, bloqueio de ruas e de agirem sob o comando de 'estrangeiros'. O Ministério das Relações Exteriores do Irã chegou a convocar embaixadores de países que declararam apoio aos protestos para apresentar essas evidências, que mostravam cenas de fogo e depredação contra carros e edifícios. As autoridades iranianas enfatizam que tais ações transgridem os limites do protesto pacífico, caracterizando-as como atos de sabotagem organizada.

Acusações de Envolvimento da CIA e Mossad

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em entrevista à TV estatal, afirmou que, embora protestos pacíficos sejam tolerados, os distúrbios violentos recentes são provocados por 'terroristas do estrangeiro'. Ele citou casos de policiais mortos, decapitados ou queimados vivos, e a destruição de comércios. As autoridades iranianas acusam diretamente os serviços secretos dos EUA (CIA) e de Israel (Mossad) de incitar e promover os distúrbios, visando provocar uma nova guerra após falharem em derrubar o regime da República Islâmica em um conflito anterior de 12 dias.

A Posição dos Estados Unidos e Ameaças de Intervenção

Paralelamente à intensificação dos protestos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou repetidamente a disposição de intervir, sugerindo uma invasão para 'ajudar' os manifestantes. No domingo (11), Trump informou que os militares dos EUA estavam avaliando 'opções muito sólidas' de ação em relação ao Irã, e que uma decisão poderia ser tomada até mesmo antes de uma potencial reunião com a liderança em Teerã. Essa retórica de intervenção externa tem sido um fator central na narrativa do governo iraniano sobre a natureza dos protestos.

Análise Geopolítica: Soberania e Hegemonia Ocidental

Segundo o jornalista, cientista político e professor de relações internacionais Bruno Lima Rocha, os protestos, que tiveram início como uma demanda legítima contra a deterioração do poder de compra da população, foram transformados em uma questão de soberania nacional devido às ameaças externas. A escalada da violência, aliada às declarações de Trump sobre um possível bombardeio, teria isolado os movimentos antigovernamentais, criando um consenso pró-regime diante do que é percebido como uma ameaça à integridade do país. Rocha explica que ações de grupos separatistas e a frustração de parte da juventude, somadas a incentivos externos que almejam o fim da República Islâmica, contribuíram para a desvirtuação dos protestos originais.

O especialista ressalta que, desde a Revolução de 1979, o Irã assumiu o controle de toda a sua cadeia produtiva de petróleo, utilizando-o como instrumento de desenvolvimento nacional. Essa autonomia, segundo Rocha, faz com que o Irã seja um 'alvo permanente do imperialismo' enquanto não se subordinar à hegemonia ocidental. A solidariedade com os protestos é vista, nesse contexto, como uma desculpa para exercer pressão sobre um país que resiste à influência externa, assim como a questão da energia atômica para fins pacíficos já foi um ponto de discórdia no passado.

O complexo cenário iraniano reflete um delicado equilíbrio entre o descontentamento interno, a resposta contundente do governo e a pressão internacional. Enquanto as manifestações pró-regime buscam consolidar a imagem de unidade nacional contra interferências externas, o futuro do Irã permanece incerto, marcado por uma intrincada teia de questões econômicas, sociais e geopolíticas que continuam a moldar seu destino na arena global.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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