A esperança se renova na cidade de Bacabal, no interior do Maranhão, onde equipes de resgate intensificam as buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos há vários dias. Um novo e crucial elemento se juntou aos esforços: Anderson Kauan, primo das crianças e também protagonista da ocorrência inicial, que, aos 8 anos, superou 14 dias de internação hospitalar e agora guia os investigadores em um terreno desafiador e repleto de mistérios.
A Contribuição Decisiva de Anderson Kauan
Após receber alta do hospital geral do município, onde se recuperava de um período de 14 dias de internação, o menino Anderson Kauan se tornou uma peça fundamental na operação. Autorizado pela Justiça, e acompanhado por uma equipe especializada que provê apoio psicológico contínuo, Kauan indicou aos policiais o trajeto que ele e seus primos percorreram antes do desaparecimento, levando-os a uma cabana abandonada, conhecida como "casa caída", situada nas proximidades das margens do Rio Mearim.
Mobilização Abrangente em um Terreno Hostil
A operação de busca e resgate, que já mobiliza um grande contingente de profissionais e voluntários, concentrou seus esforços na região apontada por Kauan. A área, que se estende por aproximadamente 54 km², é caracterizada por uma mata de vegetação densa, terreno irregular com poucas trilhas, dificultando o acesso, além da presença de açudes, lagos e, claro, o extenso Rio Mearim. Cães farejadores já haviam sinalizado a possível presença das crianças nas imediações da "casa caída", corroborando a informação do menino.
Para superar os desafios impostos pelo ambiente aquático, militares da Marinha do Brasil foram acionados, utilizando um equipamento de sonar de última geração. O dispositivo permite varrer um trecho de 3 km do Rio Mearim, mapeando áreas submersas e produzindo imagens detalhadas do leito, mesmo em condições de visibilidade reduzida, na esperança de encontrar quaisquer vestígios dos pequenos.
A Cronologia do Desaparecimento e o Resgate de Kauan
O incidente que desencadeou esta vasta operação teve início em 4 de janeiro, quando as três crianças saíram para brincar no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Três dias depois, em 7 de janeiro, Anderson Kauan foi encontrado por carroceiros em uma estrada no povoado de Santa Rosa, que é vizinho ao local do desaparecimento. Foi Kauan quem forneceu as primeiras informações cruciais, relatando ter deixado Ágatha e Allan na "casa caída" enquanto procurava por ajuda.
Esforço Multidisciplinar e Apoio Governamental
A amplitude da busca é resultado de uma parceria robusta entre diversas instituições. Profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Marinha e Exército trabalham lado a lado com a comunidade quilombola e voluntários. O esforço conjunto também recebeu reforço significativo com a chegada de bombeiros do Ceará e do Pará, ampliando a capacidade de resposta na área.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, manifestou-se sobre a operação em suas redes sociais, assegurando que "os trabalhos avançam pela região e, com prioridade, pelo leito do Rio Mearim, com apoio da Marinha e de mergulhadores do Corpo de Bombeiros. Também seguimos com as investigações para dar uma resposta à família, à comunidade de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, e a todos que acompanham o caso".
Com a participação ativa de Anderson Kauan e a união de forças estaduais e federais, a esperança de localizar Ágatha Isabelly e Allan Michael permanece viva. As equipes continuam incansavelmente na busca por qualquer pista que possa levar ao paradeiro dos irmãos, em uma corrida contra o tempo que mobiliza toda a região.

