O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou a expectativa de que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia seja assinado nos próximos dias. O governo brasileiro projeta que o pacto entre em vigor já em 2026, marcando um passo significativo nas relações internacionais e prometendo um novo capítulo para o comércio, investimentos e cooperação entre os blocos em um cenário geopolítico complexo.
O Caminho para a Efetivação e Ratificação
Para que o acordo se torne plenamente operacional, o vice-presidente Alckmin detalhou o processo de "internalização". Este procedimento exige a aprovação tanto do Parlamento Europeu quanto dos Congressos nacionais dos países-membros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A agilidade na ratificação é um fator crucial, e o governo brasileiro aposta na aprovação interna em um curto prazo. Alckmin sinalizou que uma votação positiva no Congresso Brasileiro ainda no primeiro semestre pode inclusive acelerar a vigência do acordo para o Brasil, independentemente do andamento nos demais parceiros do bloco sul-americano.
Impulso Econômico e Oportunidades Comerciais
A concretização do acordo é vista como um catalisador para a economia brasileira, prometendo a geração de novos empregos e um aumento substancial nos investimentos. Alckmin sublinhou a expectativa de atrair mais capital europeu para a região do Mercosul e, especificamente, para o Brasil, ao mesmo tempo em que se abrirão mais portas para investimentos brasileiros nos 27 países da Europa. A União Europeia, já consolidada como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, registrou uma corrente comercial de US$ 100 bilhões no ano passado. Notavelmente, a indústria de transformação brasileira exportou US$ 23,6 bilhões para a UE em 2023, um crescimento de 5,4%, superando a média global de 3,8% para o setor. O impacto geográfico é abrangente, com 22 estados brasileiros tendo a UE como primeiro ou segundo destino de suas exportações. Mais de 9 mil empresas exportadoras brasileiras, que representam 30% do total e empregam mais de três milhões de trabalhadores, têm o continente europeu como um mercado vital.
Fortalecendo o Multilateralismo e a Sustentabilidade
Além dos benefícios econômicos diretos e produtos mais baratos e de melhor qualidade para os consumidores, o acordo é enaltecido por seu papel no fortalecimento do multilateralismo, posicionando-se como um contraponto ao isolacionismo. O vice-presidente destacou que o pacto estabelece regras claras para o comércio, promovendo um ambiente de previsibilidade e equidade. Adicionalmente, o documento incorpora compromissos robustos em relação ao combate às mudanças climáticas, reforçando a agenda de sustentabilidade para todos os países signatários. Alckmin ressaltou a natureza "ganha-ganha" do acordo, onde a competitividade define o sucesso comercial. Esta perspectiva ganha ainda mais relevância no atual cenário geopolítico global, marcado por instabilidade e conflitos, demonstrando a capacidade de construir caminhos para o comércio e a cooperação internacional.
A Perspectiva Europeia e a Confirmação
A relevância do acordo foi reforçada pela própria presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que confirmou a aprovação do pacto pelo Conselho da UE por uma "ampla maioria dos países". Em uma declaração oficial divulgada em seu microblog X, Von der Leyen descreveu a decisão como "histórica", alinhando-se aos objetivos europeus de gerar crescimento, criar empregos e salvaguardar os interesses de seus consumidores e empresas. Esta confirmação da liderança europeia sublinha o compromisso mútuo em solidificar uma parceria estratégica duradoura, pavimentando o caminho para uma integração comercial mais profunda entre os dois importantes blocos econômicos.
A iminente assinatura e a projeção de entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia representam um passo decisivo para o Brasil e o bloco sul-americano. Com promessas de dinamização econômica através de comércio expandido e novos investimentos, além de um compromisso reforçado com a governança global e a sustentabilidade, o pacto é visto como uma ponte essencial em um mundo em constante transformação. A expectativa é de que, uma vez internalizado, este acordo traga ganhos tangíveis para a sociedade e consolide uma parceria estratégica que transcende meras transações comerciais, fomentando um futuro de prosperidade e cooperação mútua.

